O que estamos fazendo com nossas praias?

O que estamos fazendo com nossas praias?

5/1/2016 – Há frases e ensinamentos que escutamos ou lemos, e isso nos marca para sempre, assimilamos e levamos para o resto da vida. Mas o conhecimento sem aplicação prática do mesmo, não ajuda muito.

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Lembro de ter ouvido, de pessoas que gostam desse contato com a natureza e a respeitam no sentido de flora e fauna, algo que dizia assim:
Na natureza, não se mata nada além do tempo;
não se tira nada além de fotos;
não se deixa nada além de pegadas.Enquanto eu olhava essa cena da foto, pensei, mas eu nunca fiz isso, com certeza, muitas pessoas que estão lendo esse post não fazem isso, se já fizeram, não deveriam voltar a fazer.
O contexto, porém, mesmo que implícito, mostra que é nossa espécie, a humana, que comete esses atos.

Embora essa carapuça não nos sirva, pelo menos para muitos de nós, como indivíduos, ela é feita sob medida para a nossa espécie. Apesar de nenhuma espécie vier nos cobrar verbalmente, sobre isso, mas cobra através da vocalização de seu sofrimento, da contaminação de seu habitat, com um pedaço de plástico enroscado no bico ou nadadeira, petróleo impregnado nas penas e pelo corpo, através do sofrimento causado a elas.

É verdade que também deixamos pegadas na areia, mas parte da espécie humana deixa um rastro de destruição, sujeira e contaminação, seja na areia da praia, campo e cidade, que não pode ser atribuída a outra espécie. Infelizmente, alguns desses vestígios demorarão centenas de anos para desaparecerem. Comparadas com outras espécies, a humana é apenas um lapso de existência no tempo, mas capaz de modificar drasticamente seu meio ambiente, destruir e, consequentemente, afetar negativamente outras espécies e a si própria. Temos muitos motivos para nos orgulharmos, mas também para nos envergonharmos, claro, quando nos situamos como espécie e comparamos a nossa com as outras duas da foto.

Há ONGs e moradores que saem limpando esse tipo de lixo, que turistas deixam, isto é, deixando por outras pessoas, algumas são mesmo moradores da região, nesse momento, sentimos orgulho da nossa espécie, ela é capaz de reparar erros de outros indivíduos.
Vem aquele otimismo, quando lembramos do projeto TAMAR, que preserva as tartarugas, quando alguém resgata e cuida de um animal machucado, salva a vida de outra pessoa, quando a mobilização nacional diante de uma tragédia e a solidariedade das doações destinadas à desabrigados e atingidos por essas calamidades.
Quando existe um questionamento sobre a espécie humana, quando alguém diz, indignado, indiretamente, inconformado: “Como o ser humano é capaz disso!”.
Mesmo que imagine a pessoa, individualizada, distante moralmente, eticamente, ele, no fundo, quer dizer: “Como um semelhante é capaz de tal ato?!”.
O incômodo deve se originar em pensar que espécies consideradas “irracionais” são muito mais evoluídas do que alguns humanos que estão em cima do pedestal da “racionalidade” deles. Eu nunca vi um cachorro jogar um sofá inteiro dentro de um córrego ou pássaros entupirem as bocas de lobo com lixo jogado nas ruas, esse lixo, que parte da população joga, é como um bumerangue, a diferença é que ele não volta só para quem o jogou, volta para a população de um bairro ou cidade inteira.

Seria ótimo que chegasse o dia que sentíssemos muito mais orgulho do que vergonha da espécie humana. Esse ponto de virada, onde teríamos muito mais a nos alegrar do que a nos entristecer. A tentação é grande de dizer que são comportamentos isolados, mal educados, de “indivíduos”, que não se pode generalizar. Mas, a foto é clara, a contextualização não deixa dúvidas do que está sendo comparado: as espécies.

Não se preocupe, se você ficou desanimado, há a postagem do indiano que abriu caminho através de uma montanha, com uma simples marreta, para diminuir de 70 km para 1km a distância até o hospital mais próximo. Senti um enorme orgulho da nossa espécie. Essa foto poderia ter muitos desdobramentos, o principal deles é uma reflexão, enquanto espécie.

Fonte: Marcelo Pintor / Pintura Que Fala

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