G1: Relator recomenda cassação de Argôlo por ligação com doleiro preso

G1: Relator recomenda cassação de Argôlo por ligação com doleiro preso

14/10/2014 – Parecer ainda precisa ser votado por deputados do Conselho de Ética. Argôlo é investigado por suposto envolvimento com Alberto Yousseff.

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O deputado Marcos Rogério (PDT-RO), relator do processo contra Luiz Argôlo (SD-BA) no Conselho de Ética da Câmara, apresentou parecer nesta terça-feira (14) em que vota pela perda do mandato do parlamentar. O relatório ainda precisa ser aprovado pelo conselho, antes de ser votado no plenário da Câmara.

Argôlo responde a processo no conselho por quebra de decoro parlamentar devido a suposto envolvimento com o doleiro Alberto Youssef. Segundo a Polícia Federal, o deputado recebeu dinheiro ilícito do doleiro, o que ele nega.

O processo contra Argôlo foi instaurado em maio, a partir de uma representação do PSOL para que o Conselho de Ética investigasse a relação do deputado com o Youssef. O doleiro é acusado pelo Ministério Público Federal de ser um dos líderes de esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas que teria movimentado cerca de R$ 10 bilhões.

Em seu voto, o deputado Marcos Rogério afirmou que “em virtude das fortes provas constantes no processo e as claras contradições presentes no depoimento do deputado Luiz Argôlo, a conclusão é inevitável”.
“Suas relações [de Argôlo] com Alberto Yousseff, longe de serem apenas referentes à venda de um imóvel, envolveram tráfico de influência, a prática de negócios e pagamentos ilícitos, bem como, possivelmente, corrupção e lavagem de dinheiro. Tais atividades levaram o representado [Argôlo] ao cometimento de atos claramente contrários à ética e ao decoro parlamentar”, concluiu o deputado.

O advogado de Argôlo, Aluísio Lundgren, afirmou que o relacionamento de seu cliente com Yousef foi “comercial”. Segundo Lundgren, nenhuma das testemunhas, tanto de defesa quanto de acusação apontaram relação entre Argôlo e o escândalo da Petrobras. De acordo com ele, um decisão do Conselho de Ética sem o acesso total aos depoimentos da Operação Lava-Jato não seria “cirúrgico”.

“Eu não tenho acesso ainda a todos, ninguém tem, a todo teor de tudo que está acontecendo na operação lava-jato. Nós não temos, ainda, acesso a íntegra desses depoimentos. Nós não sabemos com precisão. […] Aconteça o que acontecer o julgamento, hoje, com todo o respeito que tenho por vossas excelências, jamais poderá ter a precisão cirurgica que se exige de um julgamento no Conselho de Ética”, ressaltou Lundgren.

Após a apresentação do voto do relator, o Conselho de Ética daria início à votação do parecer, mas três deputados pediram vista para analisar melhor o processo – Wladimir Costa (SD-PA), Pastor Eurico (PSB-PE) e Sérgio Brito (PSD-BA). O presidente do Conselho de Ética, Ricardo Izar (PSD-SP), marcou a votação para a próxima reunião, em 22 de outubro.

Rodrigo Bethlem

Durante a reunião do Conselho de Ética desta terça, o presidente do conselho, Ricardo Izar (PSD-SP), nomeou Paulo Freire (PR-SP) como relator do processo de quebra de decoro parlamentar contra Rodrigo Bethlem (PMDB-RJ). Freire deverá apresentar na quarta-feira (24) da próxima semana relatório preliminar em que analisará se o processo contra Bethlen deve ter continuidade no conselho.

Caso o processo contra Bethlem não seja apreciado pelo conselho até o recesso parlamentar, que começa em 22 de dezembro, ele não correrá o risco de ter seu mandato cassado.
De acordo com reportagem publicada pela revista “Época”, Bethlem disse, em gravação vazada por sua ex-mulher, ter recebido propina de organizações não-governamentais (ONGs) que tinham contrato com a prefeitura do Rio na época em que ele estava licenciado da Câmara e exercia o cargo de secretário de Assistência Social do Rio.

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