OGlobo: Relator lamenta ausência de André Vargas no Conselho de Ética

OGlobo: Relator lamenta ausência de André Vargas no Conselho de Ética

30/7/2014 – BRASÍLIA – Depois de lamentar a ausência de André Vargas (sem partido-PR), o deputado Júlio Delgado (PSB-MG), relator do processo por quebra de decoro que corre contra Vargas no Conselho de Ética da Câmara, encerrou a instrução e começará a trabalhar no relatório. Delgado deve apresentar suas 

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BRASÍLIA – Depois de lamentar a ausência de André Vargas (sem partido-PR), o deputado Júlio Delgado

(PSB-MG), relator do processo por quebra de decoro que corre contra Vargas no Conselho de Ética da

Câmara, encerrou a instrução e começará a trabalhar no relatório. Delgado deve apresentar suas

conclusões e voto ao Conselho na próxima semana, quando haverá esforço concentrado de votações. Nem

mesmo os advogados de Vargas estiveram presentes da reunião desta terça-feira, sob o argumento de que

ela desrespeita decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). O relatório de Delgado deve ser apresentado na

próxima semana.

— Esse relator queria os esclarecimentos de Vargas. Mas ele se nega a estar presente e se limita a

comentar nas redes sociais. Encerro a instrução, mas Vargas, se quiser, pode vir aqui até sexta-feira — disse

Delgado, acrescentando: —Não houve prejulgamento em nenhum momento. O que houve foi que Vargas,

em vez de vir aqui e explicar os atos indecoroso, prefere atacar o relator. Não somos coniventes com a

protelação.

Os advogados de Vargas apresentaram nesta terça-feira uma reclamação no Conselho de Ética afirmando

que o encerramento da instrução do processo, sem a nova manifestação do acusado, representa

descumprimento de decisão do STF. Na semana passada, Vargas conseguiu liminar para ter cópias do

processo que está no conselho e prazo para se manifestar. Delgado respondeu que as cópias foram

remetidas na semana passada e que a defesa terá prazo até sexta-feira para se manifestar.

— A defesa de André teve acesso aos autos antes mesmo deste relator, já que ele, como processo tem

acesso ao processo e terá a sexta-feira para se manifestar — disse Delgado.

Além de Delgado, outros quatro deputados estiveram presentes na reunião do conselho e também

lamentaram o fato de André Vargas não comparecer para se explicar. Vargas é acusado de envolvimento

com o doleiro Alberto Youssef, preso na Operação Lava Jato.

Vargas ignorou o conselho. Há nítida intenção de protelar – criticou o tucano Izalci (DF).

— Ele disse na tribuna que falaria a seus pares, mas a atitude dele no conselho tem sido outra —

acrescentou César Colnago (PSDB-ES).

O presidente do Conselho, Ricardo Izar (PSD-SP) lembrou que desde o dia 1o de julho os advogados de

Vargas tiveram acesso aos autos do processo que estão no órgão, mas que nunca estiveram no local para

acessá-lo. Izar e Júlio destacaram que a liminar concedida na semana passada para dar cópias do processo à

defesa não atendeu ao pedido de paralisação do processo no conselho. Nesta terça-feira, além de Vargas,

as outras três testemunhas de defesa também não compareceram à reunião. Júlio Delgado informou ainda

que o Ministério da Saúde enviou ao conselho uma agenda meramente institucional, de compromissos do

ex-ministro Alexandre Padilha em viagens e com a presidente Dilma Rousseff, sem detalhar, no entanto a

agenda de pessoas que recebeu no ministério e que poderia contribuir para o processo de Vargas.

Vargas está sendo investigado no Conselho porque há suspeita de que ele teria ajudado a Labogen,

empresa do doleiro, a obter um contrato de R$ 31 milhões no Ministério da Saúde e receber favores de

Yousseff. Vargas e o doleiro, segundo as denúncias, trocaram mensagens comprometedoras negociando

contratos suspeitos. Numa delas, o doleiro diz a Vagas que os negócios suspeitos iriam garantir a

“independência financeira” dos dois. Em outra, o doleiro diz que precisa de ajuda para resolver problemas

financeiros, e o deputado afirma: “Vou atuar”.

A troca de mensagens constam de inquérito feito pela Polícia Federal na Operação Lava Jato e que cujos

trechos foram remetidos ao Supremo Tribunal Federal. O relator do caso Vargas no STF é o ministro Teori

Zavascki. Vargas também admitiu ter usado, como empréstimo, jatinho cedido pelo doleiro Youssef.

Durante o processo no conselho, oito testemunhas ( de defesa e do relator) foram ouvidas, pessoalmente

ou respondendo a perguntas. Entre elas, o dono da Labogen, Leonardo Meirelles. O doleiro Youssef foi

listado tanto pelo relator, quanto pela defesa, mas seu advogado avisou que ele exerceria o direito de

permanecer em silêncio.

LUIZ ARGÔLO

Na próxima semana, o conselho tem reunião marcada para o dia 5 de agosto, onde serão ouvidas

testemunhas do processo que corre contra o deputado Luiz Argôlo, também acusado de envolvimento com

o doleiro Alberto Youssef. Foram chamados Vanilton Bezerra, chefe de gabinete de Argôlo; Júlio Gonçalves,

comerciantes de gado e Leonardo Meirelles, dono do Labogem.

Segundo reportagens publicadas na mídia, a Polícia Federal flagrou troca de mensagens entre Argôlo e

Youssef, em que dois marcam encontro no apartamento do deputado em Brasília, segundo reportagem.

Também há suspeitas de que Youssef tenha repassado R$ 120 mil para o chefe de gabinete do parlamentar.

Em outras mensagens interceptadas pela PF, Argôlo pede que o doleiro conseguisse R$ 110 mil para a

compra de dois caminhões lotados de bezerros e repasse a ele o nome e a conta onde deveria ser

depositado o dinheiro.

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