O maior problema do Brasil: a corrupção

30/11/2011 – Artigo de Ricardo Izar que discorre sobre o enraizamento da corrupção nos órgãos públicos, e a força deste mal que acomete o nosso país 

O Brasil caminha na contramão do desenvolvimento e precisa passar por mudanças profundas. O que deveria ser encarado como processo e meio pelas quais as coisas acontecem, acaba sendo visto como objetivo ou atividade-fim.Os programas sociais do governo, tais como Bolsa-família, Minha Casa Minha Vida, Brasil Alfabetizado, Programa de Erradicação do Trabalho Infantil PETI, e tantos outros, são um bom exemplo desse enorme engodo. Apesar de relevantes para o País, fazem mais barulho do que efetivamente mudanças concretas estruturais, se tornando verdadeiras plataformas eleitoreiras.

Além disso, nenhum governo se ateve até hoje, por exemplo, aos problemas de investimento em infraestrutura e logística. Acredito, como todo economista de visão ampla e realista, que é imprescindível fazer investimentos nessas áreas para que estejamos aptos a competir de forma igualitária com grandes potências mundiais. Assim, poderemos produzir com qualidade e ao mesmo tempo escoar a produção com excelência.

Temos hoje no Brasil, uma das cargas tributárias mais pesadas do mundo. Como falar em legalização das pequenas e micro empresas, com tantas taxas e impostos? A tão falada reforma tributária não passou dos discursos ainda. Os incentivos fiscais são uma ilusão; nunca chegam de fato aqueles que deveriam se beneficiar deles. Como empresário e cidadão, acredito que esse também é um problema estruturante que atrapalha consideravelmente a produção de bens e serviços.

Outro gargalo que o Brasil enfrenta é na questão habitacional. Parece que quanto mais casas populares são construídas, mais o déficit habitacional aumenta. Não adianta construir moradias isoladas de um contexto mínimo de qualidade de vida, onde as pessoas estarão supridas de lazer, saneamento básico, asfalto, escolas, postos de saúde, entre outros. No caso do Programa Minha Casa Minha Vida, a imensa maiorias das casas foram erguidas em locais distantes dos grandes centros urbanos, sem asfalto, posto de saúde e escola. Muitas dessas unidades habitacionais já se encontram abandonadas e depredadas. E ficarão em condições ainda pior se não transformarmos os atos governamentais em medidas estruturais ao invés de paliativas.

E quanto aos professores mal remunerados e mal preparados? Como exigir uma educação de qualidade se eles sequer têm o que comer? Tenho visto a fome de perto e não a aceito em uma nação que possui o 7º PIB do planeta. E o que falar da estrutura física das escolas, dos materiais didáticos? Estamos diante de um sistema educacional fracassado. Não podemos nos enganar.

Mas o principal problema do Brasil, definitivamente, não é a Educação, a Saúde, os programas sociais, a falta de moradia ou de Infra-estrutura. O maior de todos os problemas é a CORRUPÇÃO!

Tal qual uma infecção generalizada, que mata por falência múltipla os órgãos vitais, assim é a corrupção em nosso País. As instituições e as políticas públicas estão cada vez mais desacreditadas e ineficientes. Os corruptos de plantão sugam o que é do povo. Este é o quadro geral do doente chamado Brasil. Estamos em coma, mas somente o médico não detectou isso. Os governantes deveriam ser os primeiros a gritar, repudiar e deflagrar uma campanha contra a corrupção. Mas, não. Maquinam o ilícito, traçam estratégias para a obtenção de mais propina. Esconder a gravidade desta doença só contribui para seu crescimento. A corrupção ameaça o Brasil mais que a Aids, o infarto, o câncer, a depressão e outros traumas violentos.

A capilaridade da corrupção é muito grande. Ela está nos diferentes segmentos da sociedade. Há corrupção na política, nas polícias, na Justiça, na administração pública, na Educação, na Economia, nas famílias, nos medicamentos, nas igrejas, entre outros.

O combate à corrupção faz parte do processo de conquista da verdadeira democracia, hoje visto por grande parte da população apenas como retórica ou uma frase de efeito. Teoricamente, refere-se aos princípios legais, éticos e morais que regem uma sociedade. Pragmaticamente, limita-se a não aceitação de vantagens ou benefícios pessoais em proveito de cargo público. Em outras palavras, é saber dizer: não aceito, não faço parte.

Tal prática deve ser um ato contínuo e de todos. É ineficaz estabelecer, por um simples ato normativo ou a criação de leis, padrões de conduta ilibada, onde a honestidade seja não uma exceção, mas uma regra, um estilo de vida. Por mais complexo que possa parecer haja vista que os aliciadores de plantão nos cercam a todo o momento , o combate à corrupção está em nossas mãos e é simples de resolver. Depende de cada um de nós.

As consequências que essa doença traz são devastadoras. A corrupção está para o ilícito, assim como a árvore está para a água. Há um aprendizado nessa correlação, senão vejamos: Mesmo em um ambiente superficialmente seco e aparentemente desprovido de “nutrientes”, as raízes da árvore perfuram o solo mais duro que tiver para encontrar água e continuar viva. Na corrupção também é assim. O corrupto não mede esforços para aliciar, subornar, suplantar. E, nesse afã, infelizmente, acaba encontrando os meios necessários a sua investida.

Diversas ações são realizadas em todo o mundo para combater esse câncer. Cada país adota seu sistema anticorrupção. Em 1996, por exemplo, a Organização dos Estados Americanos (OEA) também sinalizou contra a corrupção firmando a Convenção Interamericana Contra a Corrupção. O ato delituoso é como uma bactéria e age como uma espécie de efeito dominó. Se não extirpado na sua totalidade, acaba atingindo outros órgãos até a falência completa do organismo.

Diante das notícias de corrupção e impunidade veiculadas recentemente na imprensa, não podemos nos acuar ou nos isentar de um problema como esse, de tamanha gravidade que afeta direta e indiretamente o desenvolvimento sócio-econômico de qualquer nação. Ela é, portanto, apenas o papel de presente, a ponta do iceberg. Por trás, é fácil ver a pirataria, o tráfego de drogas, o aliciamento de menores, os crimes e todo tipo de barbárie.

Meritoriamente, a Presidenta Dilma deflagrou uma campanha anticorrupção que extrapola os limites palacianos e ministeriais. Sua luta precisa encontrar apoio em todos os segmentos da sociedade. Uma iniciativa tão importante como essa precisa dar certo. É possível. O povo brasileiro quer.

Não nos resta dizer, senão, que a corrupção destrói sonhos, estabelece ilusões e implanta a miséria, pois impede que milhões de reais sejam aplicados em melhorias para milhões de pessoas que pagam seus impostos. O Congresso Nacional exerce ou deveria exercer ¬ um papel bastante relevante nesse processo. No dia 20/04/2011 foi instalada a Frente Parlamentar Mista de Combate à Corrupção, da qual faço parte, com o objetivo de restabelecer a imagem do Parlamento Brasileiro diante da opinião pública, desgastada por escândalos ao longo de sua história.

Os cidadãos brasileiros, enojados e indignados, com a ineficiência e incompetência dos agentes públicos, somado às barganhas e aos desvios vistos quase que diariamente e na maioria das instituições públicas sem a devida providência, acabam percebendo que a lei do mais esperto ou do jeitinho é uma opção. Só depende de nós acabarmos de uma vez por todas com essa classe desprezível.

Trata-se, sem dúvida, de um fenômeno generalizado, envolvendo todos os entes federados A União, os Estados, os municípios, na administração direta e indireta, com suas estatais, sociedades de economia mista, autarquias.

O Butim se estende aos três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário. Uma verdadeira orgia institucionalizada, levando-nos à límpida conclusão de que o objetivo subliminar da governança e do exercício da atividade política no Brasil é a prática do mal, do ilícito. Uma espécie de “cosa nostra” à brasileira. Estima-se que a corrupção no Brasil desvie, a cada ano que passa, recursos públicos da ordem de 20% do Pib brasileiro, isto é, algo em torno de 400 bilhões de reais!

Parece que a palavra de ordem é dilapidar o erário. Os governantes e a população devem se conscientizar de que nosso maior problema é o desvio de recursos públicos, pois deixamos de fazer muita coisa com ele, já que o mesmo equivale ao PIB da Bolívia. E o que mais deixa a população desmotivada é a sensação de impunidade. O Brasil verdadeiramente está em coma por causa da corrupção. Fome, miséria, prejuízo, desemprego e sofrimento estão entre as suas conseqüências. Meu pai costumava dizer, com ênfase e revolta, que político que rouba os recursos de sobrevivência do povo é muito mais que um homicida, é um genocida.

Basta! Devemos nos unir e exigir um Programa Nacional de Combate à Corrupção. Devemos exigir o fim desta doença que está impregnada na nossa cultura brasileira, bem como cobrar uma efetiva punição desses corruptos.

A política é um dos únicos instrumentos que temos para transformar este País. Precisamos, portanto, participar do processo eleitoral, escolher melhor nossos candidatos, acompanhar seu trabalho e cobrar, cobrar muito. Só quem participa tem o direito de reclamar!

Rui Barbosa disse: “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto”.

É a nossa hora de mudar tudo isto!

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